gente bêbada é mais mostrável do que (só) a coisa que faz gente ficar bêbada

 

Um sábado à noite em casa {cara de dó} e o Facebook me fez perceber que nós, dos 20 e tantos, 30 e poucos, voltamos a um período de consagração da nossa liberdade, a adolescência, quando o assunto é exibir, com recursos fotográficos, a nossa pomposa independência (?) nas redes sociais.

 

Lembra quando você começou a falar palavrão indiscriminadamente pra parecer mais descolado? Ou quando você tomou o primeiro porre e isso rendeu assunto pra semana toda? Quando fez seus pais comprarem aquela bugiganga só porque quem era pop também tinha? Quando fingia que gostava de assistir MTV, quando na verdade quem te mantinha entretido mesmo ainda era Pica Pau fazendo “heheheheheee…!”?

Eu lembro! (E não só das minhas experiências, mas das suas também, amigos ordinários). =p

Pois bem, é sobre relação próxima que hoje, com mais rugas e celulites, ainda vivemos com essa época aborrecente e alcoólatra que eu trato abaixo. Mais especificamente, da interdependência exibicionista que criamos com nossos apps e lindas redes sociais, ferramentas essenciais para esse marketing pessoal torto nosso de cada dia. Observe e familiarize-se.

 

Passou das 22h, e as fotos com três pessoas fazendo careta, duas moças encorpadas em seus vestidos justos e saltos que modelam qualquer batata da perna chinfrim, ou do galerê no carro a caminho da night, dão espaço para as nossas melhores amigas do final de semana estrelarem sozinhas na linha do tempo…

Sakê no copinho quadrado decorado com ideograma. Aquela bebida vinho, que dá nome a sua própria cor (e que há pouco tempo você passou a chamar de Malbec ou Cabernet – assim, feito um sommelier). Uma Veuve Clicquot erguida no ar, na maior prova de que “Glamour, aqui não me falta-me!” (salve, Lady Kate). Chopp suando frio sobre a bolacha do bar. Os súditos energéticos ladeando sua rainha, uma bela vódega Ciroc; todos deitados no gelo do balde prateado, que reflete sutilmente a cabine do DJ. E o Red Label, no centro da mesa, feito o dono engomadinho do camarote.

Tuuudo isso com os efeitos do aplicativo que hoje democratizou essa coisa toda da fotografia bem feita, o Instagram. Uma taça efervescente no foco, umas mãos pra cima desfocadas no fundo, um filtro de cores quentes, e pimba! A arte está postada e o álbum composto, garantia de que todo mundo já sabe que seu sábado foi su-ce-sso.

(Afinal, tão importante quando ter uma noite incrível, é fazer com que os amigos e a ex saibam que a sua noite foi incrível. Tão ou mais importante, aliás.)

 

Bem, agora se renda à nostalgia.

Vai dizer que quando você tomou seus primeiros porres aos 16, não foi super importante comentar sobre aquilo na aula chata de biologia de segunda-feira? Comentar alto, TIPO ASSIM, pro coleguinha ao lado ouvir…

 

Então, novidade (!), hoje em dia a gente nem precisa de uma aula de biologia na segunda-feira! Em tempo real seus amiguinhos já estão comentando como você é descolado e, melhor, as menininhas pensando que seu cartão de crédito super pode render para elas aquela bolsa Louis Vuitton tendência no próximo aniversário, quando vocês já estiverem namorando, apaixonados um pelo outro…! s2

Alertas a parte, beber é incrível. E eu sou uma dessas bêbadas com celular na mão e narcisismo aflorado.

Beber é incrível. A gente fica mais legal, mais solto, os outros ficam mais bonitos. Mas nas próximas vezes, já que a gente gosta dessa coisa de se mostrar, vou me esforçar pra usar a internet 3G pra exibir minhas e meus camagadas mais legais, mais soltos, e os caras mais feios, mais bonitos, ao invés de publicar uma única foto, num cenário meio mafioso, daquela bebida cara e solitária, que nos fez vivenciar isso tudo…

As honras & cultos & congratulações & agradecimentos para ela, a precursora da alegria, eu faço no tête-à-tête, quando a coisa já estiver feia o suficiente pra neguinho querer abraçar o balde de gelo, antes de acordar no lado certo da cama errada no dia seguinte, ainda meio zonzo.

Assim, juro, nossas linhas do tempo devem ficar bem mais divertidas, nossos likes mais sinceros e vamos mostrar que os tempos de Pica Pau passaram, apesar de ainda deixarem rastros bacanas…

Porque ao que tudo indica, a gente bebe pra se divertir – e não o contrário. E com essa coisa da ascensão da classe C, pessoal, tá mais fácil investir na balada – e não só pra você.

 

Obs.

Necessário considerar que talvez isso tudo seja só a prova de que ficar em casa no sábado a noite exalta o seu lado bêbada reprimida, nerds, e invejosa… Uma triste imagem em preto e branco, sem borda que imita filme fotográfico, de alguém que ontem sofreu no edredom com os amiguinhos que esnobaram seus bons drink em fotos garrafais ao estilo Nashville no Instagram.

Me julguem!

Se julguem!

tem dias que uma espécie de inquietação acomete o ser humano.

foi o que aconteceu hoje comigo, quando no banho, com a tv ligada, confirmei o que achei que tinha ouvido errado ontem – enquanto lia um artigo qualquer e vi com pouquíssima atenção o comercial abaixo…

feliz dia dos publicitários, amiguinhos!

“são as almôndegas do chef. saboreie essa delícia.”

(QUEDÊ CONAR?)

– post rápido e descompromissado, de quem carrega um peso na consciência por ter abandonado os posts elaborados e wannabe críticos. me julguem! –

Sábado, 10h30 da manhã. Eu, decidida a reparar o erro de não ter feito a primeira revisão no meu carro – já com 22 mil quilômetros – fui ao posto de gasolina trocar o óleo, o filtro do óleo e mais meia dúzia de itens automobilísticos que o frentista me vendeu como essenciais. “Olha dona, não sei como você ainda conseguia ligar o motor!”, disse ele como quem vende a mãe zero km a preço de fábrica. “Tá bom, mas vê se não me quebra porque eu sou pobre…”, rebati do alto do meu cabelo loiro e da minha bolsa rosa, com os pés fincados no metro quadrado mais caro da cidade, na ingênua intenção de ludibriar aquele homem que exercia sobre mim uma visível (quiça risível) superioridade.

Bem, resignada a esperar as cercas de uma hora e meia de cirurgia no meu possante – depois do que gastei, é melhor valorizá-lo -, sentei para tomar um cafezinho, acompanhado de uma água com gás e um Estadão fresquinho com as novidades mundiais. Cansada da crise da Grécia, do trocadilho Jobim-Amorim-Amorim-Jobim, e dos colunistas desgraçando Obama, entrei na loja de conveniência e me rendi à prateleira de revistas. A Elle me chamou, a Lola me seduziu… Tirei a Veja da estante e dei uma analisada no teor da capa, fazendo a sábia consumidora de informação. Mas logo me vi frente às chatas especulações do jornal que havia abandonado há pouco, e decidi me permitir: “Hoje é sábado, Amanda”, disse pra mim mesma em voz baixa, como se realmente precisasse me convencer desse teatral monólogo. E rapidamente agarrei a minha primeira Playboy. Digo ‘a minha primeira’ porque pela primeira vez os meus tostões suados iriam pagar para ver aquelas páginas.

A edição que agora eu entregava para a Caixa do lugar, com uma serena curiosidade para observar a sua reação ao ver a menininha comprando a revista de mulher pelada, é digna de curiosidade. Adriane Galisteu, nos seus quase 40, estrela o ensaio principal. Bem abaixo dos seus seios, na capa de logo dourado, tem a chamada “ENTREVISTA SANDY: É possível ter prazer anal”. Um apelativo convite para os Genaros que um dia cantaram e acreditaram que a Maria Chiquinha precisava cortar lenha no meio do mato…

– Inclusive para a caixa que havia passado a minha compra, que depois do espanto, confessa, pediu para eu lhe contar sobre a entrevista (e sobre o poder que o dinheiro exerceu sobre o shape da Galisteu depois da gravidez). –

Eu tenho hoje 23 anos. Sou da época em que o Sandy e a Junior – um salve aqueles que nunca souberam ao certo quem era o menino e quem era a menina da dupla – cantavam “Vamo pulá!” na Rede Glóbulo nos almoços de domingo. Minha geração já duvidava, mesmo adorando o contexto Malhação do seriado, de que a adolescente de voz inegavelmente promissora, filha dos sertanejos mais representativos do Brasil – além da distinção de sexo, quem é que nunca falou que ela era filha do Chitãozinho e do Xororó, como se eles fossem um casal? -, iria casar virgem, como se explorou durante anos. Faço parte da massa crítica (risos) que um dia falou a respeito da sua pureza exacerbada, nessas conversas que nos levam tão longe que depois é preciso ponderar o tempo perdido (cof, cof).

Enquanto eu lia atentamente a uma entrevista de gente comportada, pra não dizer chata, e o querido frentista tentava justificar cada acréscimo de 60 reais que ele fazia na minha conta, mostrando superfícies cinzas em comparação às branquinhas novas que ele iria instalar – “… A senhora tava respirando sujeira pura com esse filtro de ar condicionado, viu?” – e eu abanava com a cabeça, subordinada ao preço dos seus sermões, refleti. Afinal, de que me interessava o cu da Sandy?

A chamada de capa que já havia causado comentários fervorosos no happy hour da firma, que dominou a página do meu facebook por uns três dias, carregava um prazer quase mórbido… E pior, na verdade era enganosa. Eu estava lendo uma entrevista de cinco páginas de uma cantora, que ali não falava de música, nem de inspirações, nem de bastidores, mas só tentava me convencer de que era uma mulher bem resolvida sexualmente, sem revelar pitacos além da sua coleção de lingeries preta (uau!). Ainda assim, eu aumentava a velocidade da leitura a cada resposta rasa da entrevistada, sedenta por alguma fútil emoção. E acabei me divertindo mais com a desenvoltura engraçadinha e necessariamente cara de pau da sua entrevistadora.

A chamada de capa –como eu já devia esperar – tinha a intenção de botar na boca (e não só lá) da Sandy uma revelação que ela não fez. A imprensa no seu papel (?). Eu, consumidora ocasional e maria vai com as tendências, também cumpria, de certa forma, com o meu ao atender aos anseios daqueles que planejaram a composição “ENTREVISTA SANDY: É possível ter prazer anal”. O cu da Sandy? Continuava intacto para qualquer um que não o seu digníssimo – se é que ele o conhece da forma como foi insinuado.

Enfim, Sandy está cada vez mais cabeçuda (falo com propriedade a respeito), mais magrinha, mais certinha, mais sem gracinha. Sandy não bebe cerveja e não gosta de ficar bêbada porque não se sente bem perdendo o controle. ZzZzZZZZZZ.

A Playboy vale pelas sacadas, contos, e pelo corpo elegante da Galisteu, segundo as lentes de Duran, na paisagem do Sul da Itália. A naturalidade exibicionista com que ela, literalmente, abre as loiras e maduras pernas, qualidade que talvez o Senna não tenha tido a oportunidade de conhecer, essas sim, cabem como vantagens exclusivas dessa edição da querida Revista. Pelo menos foi isso que consolou os quase 400 reais que Joseílson, o frentista do mês da Petrobrás, me cobrou pelos serviços prestados. “Da próxima vez, troca o óleo com a gente, ein dona?!”. Pode deixar, Joseílson, você me rendeu muito mais do que a Sandy.

é pra ouvir enquanto lê.


Hoje não é dia de dar presente.

Hoje é dia de tirar a roupa.

Pôr de novo. Tirar de novo…

De olhar pro lado e querer fazer o parceiro ter um dia especial. De querer ser especial.

Hoje é dia de fazer o chamego ficar guardado na memória. “Lembra aquele carinho que você fez nas minhas costas no último dia dos namorados…? Faz de novo?!”

Dia de pensar que seus esforços de conquistador barato, aqueles do começo, de quando você ainda disfarçava seus defeitos, valeram a pena…

Hoje é dia de beijar com intensidade.

Depois relaxar os lábios e só deixá-los encostados no do outro. Cheirar o outro.

Dia de agradecer a pessoa que está ao seu lado por tolerar seu humor alterado, seu telefonema mal educado, e suas ausências (ou presenças) demasiadas…

Hoje é dia de comprar a rosa do vendedor no farol.

De ter a cara de pau de comprar e dizer: “Eu ia passar na floricultura, mas perdi a hora…”. De sorrir, fingir que acredita e achar linda até aquela mentirinha.

Se existem uns quilômetros de distância entre vocês, hoje é dia de mentalizar as mão dadas. E propor ao outro a mesma coisa. É dia de se fazer próximo, juntinho, de espiritualizar seu sentimento à potência máxima!

De sentir saudades. De falar que sente saudades.

Hoje é dia de desligar o celular. De compensar as vezes que você não priorizou.

De ser namorado, mesmo sem estar namorando.

E de pensar que marido também pode ser, de novo, namorado. E esposa, namorada.

Hoje é dia de olhar no fundo do olho do outro e arrancar um elogio sincero de dentro do peito. Sincero…

Dia de dar folga aos desentendimentos. De deixar a DR pra amanhã. As contas pra segunda.

Hoje é dia de fazer amor antes de fazer sexo.

Dia de aproveitar pra pensar que todo mundo tem direito a ter essa sensação gostosa de ter quem se gosta ao lado… Homem com homem, mulher com mulher, cachorro com gato, velho com moça. Todos podem.

E se você ainda não ama, hoje é dia de pensar: do que mais eu preciso para amar ela?

Hoje não é dia de dar presente. É dia de ser o presente!

 

Feliz dia dos namorados!

Parabéns para os meus amigos lindos pela parceria de quem consegue dividir um coração, essa coisinha tão complicada de se fazer… Este texto é pra vocês, casais  que funcionam como um amigo que vale por dois.

Os méritos todo mundo já conhece. Os tropeços, então… Nem se fala. Tenho um conhecido que costuma dizer que quando a gente é gente grande, vira vitrine: querem te admirar, mas na primeira oportunidade, vão também querer quebrar a sua vidraça. No caso do Ronaldo não foi diferente: sucesso, sucesso, sucesso, crise, críticas, críticas, críticas. Depois de tantas vitórias, derrotas, polêmicas, piadas e caricaturas, foi agora, nas últimas aparições dele em celebração à sua despedida da Seleção Brasileira, que o figura provou, com todo o carisma dos seus dentes separados, que merece o título de fenômeno.

 

“Era FOFONÊMO, Galvão… hahahaha”.

“Tô com dor, pô, cheio de dor… Sempre senti dor”.

 

Até pouco tempo atrás, estas declarações pesariam muito na boca (e no peito) do então jogador. Pesariam tanto que dificilmente seriam declaradas! Mídia, torcida, ego… Há no ser humano uma dose de orgulho que costuma ser tomada diariamente, um remedinho natural que oferece uma camada bem fininha de proteção ao ego, de quem nós somos tão dependentes. A espessura da camada é fina porque a verdade nunca abandona nós mesmos… E assim foi com o Ronaldo: a verdade nunca lhe abandonou. Se ele um dia impediu, por exemplo, a dor de passar através dessa camada, impediu a dor de passar em público, impediu de passar a sua dor para o público. Dele, ela nunca saiu! Mais que isso: de dentro da consciência pesada de quem precisa repensar a vida, ela dificilmente sai.

 

“Era FOFONÊMO, Galvão… hahahaha”.

“Tô com dor, pô, cheio de dor… Sempre senti dor”.

 

No último Bem Amigos, aquele programa consagrado da Sportv em que os cartolas do jornalismo futebolístico cutucam os jogadores como quem bate uma bola com um amigo de longa data, Ronaldo disse tudo isso. Digo tudo isso porque nessas duas frases de poucas palavras – que foram proferidas com uma tranquilidade invejável – há muito mais do que se lê.

Viva a maturidade de quem sabe brincar com o fim, pois não há gente mais grande (com o perdão do maior) do que gente humilde. Não há fenômeno que supere o da humildade.

#Prasempreronaldo.#Prasemprefenômeno.

 

meu texto na home do papodehomem.com... muito amor!

 

Em meados de março, um moço muito bacanudo me mandou uma mensagem no twitter perguntando se eu gostaria de escrever para um dos sites brasileiros mais bacanudos da atualidade. O bacanudo 1 é Guilherme Valadares, criador e editor do bacanudo 2, o Papodehomem, uma lifestyle magazine feita pra gente com pauderescência.

Fiquei lisongeada com o convite e aproveitei a passadinha que tinha dado naqueles dias pela RedeTV, pra contar o que  vi por trás das câmeras do programa da Hebe. Sim, decidi contar para homens saco-roxo – como eles costumam se tratar por aquelas bandas – detalhes em off sobre a titia Hebe. Arrisquei, ‘graciiinhas’.

Adianto! Leitura recomendada para os desprovidos de preconceitos e, principalmente, pra quem tem essa visão meio romântica, meio feliz, meio boba da vida (como eu) e costuma pensar que dá pra aprender com tudo. Até com a Hebe…   

Pra ler é só clicar aqui, ó: http://papodehomem.com.br/hebe-com-h-maiusculo/

 

ilustração da talentosa e querida Julia Lima (www.jlima.net)

 

Nos últimos cinco dias tive palestras com os grandes diretores, editores e repórteres da maior Editora da América Latina, a Abril. Durante o Curso Abril de Jornalismo 2011 fiz perguntas polêmicas para os caras da Veja, conheci a estratégia do site de maior referência econômica para executivos, o da Revista Exame, ouvi sobre os desafios tecnológicos mais recentes no universo das publicações (como, por exemplo, driblar ou se inserir no iPad?), e entendi que as diferentes gerações de mulheres do nosso tempo geram um conteúdo super fatiado, que contribui para o boom de revistas femininas lançadas recentemente… Ufa! Mas entre essas e tantas outras informações bacanérrimas, ouvi ontem o relato mais interessante de todos.

Edson Aran é o chefão da Playboy Brasil, que diga-se de passagem é a mais bem sucedida revista entre as 24 outras representantes da marca que estão soltas pelo mundo. Provavelmente é também a que faz do Sr. Hugh Hefner, o inteligente barão do nudismo mundial, um cara mais orgulhoso. Pois bem. Entre questionamentos sobre o uso do photoshop naquelas curvas e sobre a negociação das capas mais polêmicas desta Revista, minha cabeça insistia em querer saber duas coisas… Entre as Playboys mais vendidas, expostas nos slides deste Diretor de Redação, estavam as loiras e morenas mais deliciosas deste país – aquelas que muitos de vocês, caros menininhos, se inspiraram para colar algumas páginas. Mas entre estas sex symbols não estavam mulheres negras. Também não estrelavam, nas edições mais recentes, os seios pequenos.

E ali na minha frente estava o cara mais por dentro dos bastidores da Playboy, que conhece melhor do que ninguém o consumidor desta informação nua. E então, eu lhe perguntei: “afinal, mulheres negras na capa agradam o seu leitor? Os seios pequenos, daquelas que não são tão famosas, geram tesão no seu leitor?”. E a reposta para ambas foi bem simples: não. Mulheres negras e peitos sequinhos não vendem menos Playboys.

A pulguinha atrás da minha orelha persistia: se essas características não rendiam menos, porque os cenários das negras é tão limitado na história da Revista? Desde 1975, entre as que eu consegui contar, há míseras três capas negras… E porque apenas os seios com os mesmos mililitros ganham cada vez mais estas páginas? Edson me explicou. Há poucas mulheres negras em destaque no mercado do entretenimento e, para aparecer na Playboy não basta ser gostosa, tem que ser pop. Quanto aos peitinhos, atenção mulherada: “Não são os homens que querem as mulheres peitudas, elas é que estão assim”, ele disse. E disse mais: “Na nossa última edição há uma foto com quatro mulheres peladas, uma ao lado da outra. Todos os seios são iguais. Isso não é legal…”.

Ai, como eu quero que o Edson esteja certo! Rapazes que se masturbam e homens que se entregaram aos prazeres do capitalismo (até porque aqui as mulheres são parte deles): espero que vocês estejam ansiosos para ver a Jaqueline Faria, aquele desbunde negro do BBB11, de rosto simétrico, corpo de passista e sotaque carioca, na capa da Playboy. Aliás, Aguinaldo Silva, traga mais cor para a telinha e dê uma forcinha para o nosso amigo Edson desmistificar essa coisa toda… Pois eu posso dar nomes aos homens que dizem que as mulheres negras são atraentes, mas que não as “pegariam” (na linguagem mais livre e verdadeira possível).

Ah! Eu sei, mas não vou dar. Os nomes destes caras, mentes estimuladas.  

Espero também, amigas na ânsia por se jogar na mesa cirúrgica para embolotar sua comissão de frente, que vocês o façam caso isso sirva para te fazer se sentir ainda mais linda, para lhe fazer vestir melhor aquela blusa decotada, tamanho M, sem que sobre tecido na parte da frente. E não apenas para aumentar o número do sutiã que os do sexo oposto vão arrancar com os dentes depois de uma(s) taça(s) de vinho. Eles gostam das nossas muxibinhas! Palavras de um especialista.

Ps. Não se sinta agredida caso a felicidade tenha invadido sua vida depois do silicone, como já ouvi de tantos relatos. A opinião aqui vem de uma pessoa de retaguarda, talvez uma jovem de alma velha que – ainda, oras – dispensa a importação dos peitos americanos e se sente suficiente com aquilo que um dia foi chamado de preferência nacional. Uma vantagem de ser assim? Na busca constante do ser humano por exclusividade, posso ao menos dizer: meu peito é tímido, charmoso e único em seu formato.

(Edson Aran, olha eu aí! rs)

a vice primeira (gatinha) dama e seu respectivo vice (véinho) presidente

 

Dilmoca pronunciou doze vezes a palavra “mulher” entre os seus dois discursos de posse, um no Congresso e outro no Planalto. Fui bitolada ao ponto de contar. Pra reforçar, na mesma ocasião Sarney discursou frases feministas memoráveis, do tipo “A posse de Dilma é a ascensão da luta da mulher!”. Mas a sensação de comoção nacional em torno da conquista para com o que, no caso, é o meu sexo, foi passageira. Ali, bem pertinho de todo este falatório, uma moça bonita roubava flashes. Já no dia seguinte, notícias (é esse mesmo o nome?) faziam de Marcela Temer, esposa do atual vice presidente do Brasil, Michel Temer, a “Carla Bruni” brasileira. Ao que tudo indica, mulher jovem formosa, mesmo que figurante, ainda é mais relevante que mulher nem tão jovem, nem tão formosa, sendo nomeada presidente de um país. Ao menos aos consumidores de Playboy que apenas veem as fotos, e não leem as inteligentes reportagens que ali são impressas.

Para refrescar qualquer memória ou desconhecimento, Carla Bruni é a atual primeira dama francesa, mulher de Nicolas Sarkozy. Foi também, bem antes de ser primeira dama, top model, e agora segue como cantora e compositora. A artista (de sucesso, reconhecida pela alta crítica do ramo) enfrentou e ainda deve enfrentar olhares curiosos que só conseguem enxergar por baixo da sua simetria facial e corpo delineado, um interesse escuso de quem parece preferir o envolvimento com homens “poderosos”. Como se eles fossem a fonte de todo o prazer do universo… Meus caros, vale um lembrete: vocês são parte do nosso prazer, e não o nosso todo – sejam poderosos, milionários, pobres ou simplesmente gostosos! É sempre bom grifar isso, né rapaziada cheia de egocentrismo?

[Ressalvo aqui minha admiração pelos gente fina, bacanas e inteligentes, que obviamente são muito mais prazerosos que os outros].

Mas, de volta… O machismo disfarçadinho, que veio figurar paralelamente ao feminismo reluzente e exagerado do mais importante evento político do nosso país, talvez não seja uma coincidência. Antes que me taquem as pedras, saibam que não partilho dessa onda das mulheres que se sentiram vitoriosas porque seu presidente agora é presidenta. Não. Enxerguei, inclusive, desde o princípio o pingão de exploração do tema para conquistar votos. Votei, aliás, no homem desta eleição. E também conheço a mulherada boa de cara e boa de bunda que se apropria destes dotes para interesses nem tão valorosos. Mas enxerguei nesses últimos dias, no nosso evento político, um outro lado desse fuzuê. Talvez, veja bem, talvez, nem todos os meninos brasileiros que apreenderam com o papai que lugar de mulher é no tanque, estejam preparados para serem geridos por uma moça – e aproveitaram o efeito mulher bonita ali, pra tirar o foco. Arrisco dizer, ainda, que muita mulher fez o mesmo. Se meu palpite estiver certo, que pena. Ambos usaram da sua mais pobre sabedoria para labutar.   

Pra fechar, recorro à figura do feirante. Sim, o vendedor de bananas, pepinos e abobrinhas (frutas e legumes escolhidos não aleatoriamente). Da sua santa sabedoria popular, desde as décadas passadas, esses profissionais, prioritariamente homens, entenderam que o humor poderia ser a alma do seu negócio. E entre uma ou outra chamadinha, lançaram o tal “Mulher bonita não paga, mas também não leva!”, para suas potenciais clientes, prioritariamente mulheres. Provavelmente os que assim gritavam (ou gritam), venderam (ou vendem) mais do que os que preferiram se calar… O inverso do que eu espero que aconteça com os jornalistas e afins que preferiram salivar sobre a ex miss, advogada e mãe > do filho > do nosso atual vice presidente – como ele muito perspicazmente colocou, ao ser indagado sobre a comparação de sua digníssima companheira com a primeira dama francesa.

Porque mulher bonita ainda paga por ser bonita. E ainda leva comentários levemente debochados de quem não sabe se diferenciar do mercado, ao lançar novas interpretações, mesmo que acerca da presença de um colírio aos olhos no cenário político, que geralmente é tão feio. Temos, aliás, mais coisas a dizer (e a exigir) do que este alvoroço de testosterona que invadiu as agências de notícias desde do primeiro dia do ano.

Repeteco de “notícias” vazias, sem a pegada sábia. Cansei.

Tá bombando por aí, feito noite de fogos, a perseguição por Julian Assange, o cara que varreu a poeira de gente grande pra cima do tapete com o Wikileaks. Para quem não sabe o site não lucrativo (vive de doações), é um delator com tecnologia ‘mudérna’, fontes fortes e futricas capazes de sacudir economias e relações internacionais do mundo, com o mundo. Seus assíduos internautas são os mais relevantes jornais do planeta, secos por apertar os colarinhos das diplomacias engravatadas. Os mesmos, aliás, que noticiam o passo a passo do que já é considerada a nova guerra da informação. O fundador do tal site é o moço australiano que agora estampa as capas e manchetes, com cabelo grisalho, cara de nerds e um quê de jornalista doido. Sim, doido. Euzinha não teria peito pra fazer o que ele fez: delatar comentários esdrúxulos e documentos sanguinários dos tais reis e rainhas que nos “súditam” sem sequer percebermos (ou fingimos não perceber)?  

Óóó: os Chineses colocaram hackers do mal nas tramas do governo para controlar um pouco mais aqueles olhinhos apertados. Óóó: os americanos se basearam em notícias superficiais e disseram que Dilmoca, a nova presidenta da terra de macacos que começa a dar passos significantes, era uma ladra, quiçá terrorista de outrora. ÓÓÓ: BUSH MATOU INOCENTES NA GUERRA DO IRAQUE!

Bem, cinismo e ignorância a parte, não desmereço a importância dessas informações, muito menos do feito do cara que agora se consagra como ativista dos tempos modernos. Questiono-me, sim, sobre a síndrome de poder. Explico: megalomaníacos sempre estiveram dispostos a matar, torturar, denegrir e mais outra sequência de maldades, há tempos, com o mesmo objetivo de Pink e Cérebro (os ratinhos que queriam dominar o mundo). E sabemos que quem sempre paga o pato somos ‘nozes’. Mas onde é mesmo que eles querem chegar? Ricos já são, mulheres já têm e velhos estão se tornando.

Senhores presidentes, onde é que vocês querem chegar? Em breve irão morrer, meus caros. De que adianta passar a vida atrás dos territórios petrolíferos, acenando para as câmeras com um sorrisinho hipócrita, enquanto exterminam pessoas inocentes, famintas e doentes – ao mesmo tempo em que tentam esconder isso de todo mundo? “Poxa, pelo menos, eles morreram antes. E fui eu que matei!”. Será que é isso que passa por vossas cabeças? Que senso de adrenalina curioso o desses caras, né?

De qualquer forma, meus parabéns. Se seus tataranetos não morrerem sufocados pela poluição das caixinhas de nuggets superfaturadas que vocês devoram na madrugada, irão continuar a sua guerra e serão tão ou mais letais que vocês com suas armas touchscreen. Sim, eles encabeçarão os rankings de homens mais poderosos do mundo! Viverão, também, tão infelizes quanto imagino que são os senhores. Porque a infelicidade é o único motivo pra tantos gatilhos apertados à distância, via telegramas que agora ganham notoriedade no Wikileaks.  

O nome do site que causou furor deriva da soma de “wiki”, termo havaiano que significa ‘rápido’, e “leaks”, que se assemelha com ‘contar anonimamente’. O slogan da iniciativa é “We open governments”. Pobre Julian Assange, ele é tão vítima quanto esses homens poderosos… Passou a maior parte da vida caçando as últimas notícias ruins, sigilos aterrorizantes e descascando governos podres. E agora é um mártir, viva! Mas está atrás das grades e, ao que tudo indica, nunca mais vai sair de lá. Mesmo escapando da prisão, dá pra imaginar que a vida daqui pra frente, mais perseguido do que nunca por nossa realeza, não terá preço. E, pior! Para todas as outras coisas não existirá mais nem Mastercard.

Vim aqui dar o meu alerta aos que se iludiram: infelizmente, um só X9 não muda o mundo. A transparência não é a luz no fim do túnel, sinto assumir. Trogloditas com sede de poder continuarão vindo, e a não ser que o tal Messias decida revolucionar essa bagaça, descendo de novo e oferecendo vinho mágico para os Judas que aqui se espalharam, seguiremos lutando aliados ao quarto poder, na humilde tentativa de resgatar uns ou outros.

Cresci ouvindo nego dizer “O Brasil é ótimo… Aqui não tem terremoto, furacão ou guerra”. Também ouvi bastante, em um ritmo mais encantador, que tudo o que eu quiser o cara lá de cima vai me dar. Mas, como só depois fui entender que era a Xuxa quem me dava essa dica (a segunda), passei a desconfiar de todas as outras teorias (inclusive da primeira).

Tal pé atrás – atrelado a um quê de frustração – me fez mais curiosa, ao ponto de querer entender o que determinava um país sofrer tremor de terra, tufo de vento do cão e, claro, sofrer da guerra. Placas tectônicas, ondas sísmicas, escalas Richter, tempestades e ciclones depois… continuo ignorante com relação à guerra. Achava que era ganância oropéia, síndrome de Bush ou coisa de terrorista barbudo. Não é.

Terra brasílis é muito grande. Muito desigual também. Exige que nordestino abandone a rede de descanso no sertão ou o lindo barquinho de pescador pra vir morar perto de uma praia chic, com internet wi fi na orla da cidade (?). Ele chega confuso, sem ter onde dormir, o que colher ou como pescar. Aflito, descobre que até dá pra construir um barracozinho num lugar alto com vista panorâmica (!). Mas ao mesmo tempo em que arruma um bico 100% urbano, descobre que muita gente usa um negócio chamado “entorpecente”. O filho do patrão fuma maconha, a moça da TV cheira cocaína e quem vende tudo isso pra eles é o seu vizinho.

Desde semana passada vejo tanques de guerra entrando lá perto desse pessoal minoria, que veio tentar a vida na cidade grande que era pra ser maravilhosa. Agora eles devem estar pedindo pro cara lá de cima dar, de volta, a sua terra natal, a sua casa de barro e os seus vizinhos drogados de tanta cachaça de alambique e cigarro de palha… Querem ouvir forró e não mais ‘tá dominado, tá tudo dominado’ da boca de homens fardados.

Talvez eles, assim como eu quando pequena, pensavam que “ocupação de território”, “domínio” e “poder” eram palavras pra estrangeiro ou professor de história usar. E que guerra era algum tipo de questão múltipla escolha em que a gente é quem decide se marca com um x a opção ter ou a opção não ter. Por mais que eu ainda idealize que sim, é opcional (pena que quem preenche por aqui não sabe como fazê-lo), concluo que o mais chocante é saber que estamos em guerra contra nós mesmos e, dizem, a favor de nós mesmos. Os principais inimigos não estão em outro país, nem falam outra língua. São, no máximo, de facções, milícias ou partidos diferentes.

Você pensou que, algum dia, Hitler e Morro do Alemão teriam coincidências além do nome? Nem eu.  Muito menos os pacíficos retirantes…