Os méritos todo mundo já conhece. Os tropeços, então… Nem se fala. Tenho um conhecido que costuma dizer que quando a gente é gente grande, vira vitrine: querem te admirar, mas na primeira oportunidade, vão também querer quebrar a sua vidraça. No caso do Ronaldo não foi diferente: sucesso, sucesso, sucesso, crise, críticas, críticas, críticas. Depois de tantas vitórias, derrotas, polêmicas, piadas e caricaturas, foi agora, nas últimas aparições dele em celebração à sua despedida da Seleção Brasileira, que o figura provou, com todo o carisma dos seus dentes separados, que merece o título de fenômeno.

 

“Era FOFONÊMO, Galvão… hahahaha”.

“Tô com dor, pô, cheio de dor… Sempre senti dor”.

 

Até pouco tempo atrás, estas declarações pesariam muito na boca (e no peito) do então jogador. Pesariam tanto que dificilmente seriam declaradas! Mídia, torcida, ego… Há no ser humano uma dose de orgulho que costuma ser tomada diariamente, um remedinho natural que oferece uma camada bem fininha de proteção ao ego, de quem nós somos tão dependentes. A espessura da camada é fina porque a verdade nunca abandona nós mesmos… E assim foi com o Ronaldo: a verdade nunca lhe abandonou. Se ele um dia impediu, por exemplo, a dor de passar através dessa camada, impediu a dor de passar em público, impediu de passar a sua dor para o público. Dele, ela nunca saiu! Mais que isso: de dentro da consciência pesada de quem precisa repensar a vida, ela dificilmente sai.

 

“Era FOFONÊMO, Galvão… hahahaha”.

“Tô com dor, pô, cheio de dor… Sempre senti dor”.

 

No último Bem Amigos, aquele programa consagrado da Sportv em que os cartolas do jornalismo futebolístico cutucam os jogadores como quem bate uma bola com um amigo de longa data, Ronaldo disse tudo isso. Digo tudo isso porque nessas duas frases de poucas palavras – que foram proferidas com uma tranquilidade invejável – há muito mais do que se lê.

Viva a maturidade de quem sabe brincar com o fim, pois não há gente mais grande (com o perdão do maior) do que gente humilde. Não há fenômeno que supere o da humildade.

#Prasempreronaldo.#Prasemprefenômeno.