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ilustração da talentosa e querida Julia Lima (www.jlima.net)

 

Nos últimos cinco dias tive palestras com os grandes diretores, editores e repórteres da maior Editora da América Latina, a Abril. Durante o Curso Abril de Jornalismo 2011 fiz perguntas polêmicas para os caras da Veja, conheci a estratégia do site de maior referência econômica para executivos, o da Revista Exame, ouvi sobre os desafios tecnológicos mais recentes no universo das publicações (como, por exemplo, driblar ou se inserir no iPad?), e entendi que as diferentes gerações de mulheres do nosso tempo geram um conteúdo super fatiado, que contribui para o boom de revistas femininas lançadas recentemente… Ufa! Mas entre essas e tantas outras informações bacanérrimas, ouvi ontem o relato mais interessante de todos.

Edson Aran é o chefão da Playboy Brasil, que diga-se de passagem é a mais bem sucedida revista entre as 24 outras representantes da marca que estão soltas pelo mundo. Provavelmente é também a que faz do Sr. Hugh Hefner, o inteligente barão do nudismo mundial, um cara mais orgulhoso. Pois bem. Entre questionamentos sobre o uso do photoshop naquelas curvas e sobre a negociação das capas mais polêmicas desta Revista, minha cabeça insistia em querer saber duas coisas… Entre as Playboys mais vendidas, expostas nos slides deste Diretor de Redação, estavam as loiras e morenas mais deliciosas deste país – aquelas que muitos de vocês, caros menininhos, se inspiraram para colar algumas páginas. Mas entre estas sex symbols não estavam mulheres negras. Também não estrelavam, nas edições mais recentes, os seios pequenos.

E ali na minha frente estava o cara mais por dentro dos bastidores da Playboy, que conhece melhor do que ninguém o consumidor desta informação nua. E então, eu lhe perguntei: “afinal, mulheres negras na capa agradam o seu leitor? Os seios pequenos, daquelas que não são tão famosas, geram tesão no seu leitor?”. E a reposta para ambas foi bem simples: não. Mulheres negras e peitos sequinhos não vendem menos Playboys.

A pulguinha atrás da minha orelha persistia: se essas características não rendiam menos, porque os cenários das negras é tão limitado na história da Revista? Desde 1975, entre as que eu consegui contar, há míseras três capas negras… E porque apenas os seios com os mesmos mililitros ganham cada vez mais estas páginas? Edson me explicou. Há poucas mulheres negras em destaque no mercado do entretenimento e, para aparecer na Playboy não basta ser gostosa, tem que ser pop. Quanto aos peitinhos, atenção mulherada: “Não são os homens que querem as mulheres peitudas, elas é que estão assim”, ele disse. E disse mais: “Na nossa última edição há uma foto com quatro mulheres peladas, uma ao lado da outra. Todos os seios são iguais. Isso não é legal…”.

Ai, como eu quero que o Edson esteja certo! Rapazes que se masturbam e homens que se entregaram aos prazeres do capitalismo (até porque aqui as mulheres são parte deles): espero que vocês estejam ansiosos para ver a Jaqueline Faria, aquele desbunde negro do BBB11, de rosto simétrico, corpo de passista e sotaque carioca, na capa da Playboy. Aliás, Aguinaldo Silva, traga mais cor para a telinha e dê uma forcinha para o nosso amigo Edson desmistificar essa coisa toda… Pois eu posso dar nomes aos homens que dizem que as mulheres negras são atraentes, mas que não as “pegariam” (na linguagem mais livre e verdadeira possível).

Ah! Eu sei, mas não vou dar. Os nomes destes caras, mentes estimuladas.  

Espero também, amigas na ânsia por se jogar na mesa cirúrgica para embolotar sua comissão de frente, que vocês o façam caso isso sirva para te fazer se sentir ainda mais linda, para lhe fazer vestir melhor aquela blusa decotada, tamanho M, sem que sobre tecido na parte da frente. E não apenas para aumentar o número do sutiã que os do sexo oposto vão arrancar com os dentes depois de uma(s) taça(s) de vinho. Eles gostam das nossas muxibinhas! Palavras de um especialista.

Ps. Não se sinta agredida caso a felicidade tenha invadido sua vida depois do silicone, como já ouvi de tantos relatos. A opinião aqui vem de uma pessoa de retaguarda, talvez uma jovem de alma velha que – ainda, oras – dispensa a importação dos peitos americanos e se sente suficiente com aquilo que um dia foi chamado de preferência nacional. Uma vantagem de ser assim? Na busca constante do ser humano por exclusividade, posso ao menos dizer: meu peito é tímido, charmoso e único em seu formato.

(Edson Aran, olha eu aí! rs)

a vice primeira (gatinha) dama e seu respectivo vice (véinho) presidente

 

Dilmoca pronunciou doze vezes a palavra “mulher” entre os seus dois discursos de posse, um no Congresso e outro no Planalto. Fui bitolada ao ponto de contar. Pra reforçar, na mesma ocasião Sarney discursou frases feministas memoráveis, do tipo “A posse de Dilma é a ascensão da luta da mulher!”. Mas a sensação de comoção nacional em torno da conquista para com o que, no caso, é o meu sexo, foi passageira. Ali, bem pertinho de todo este falatório, uma moça bonita roubava flashes. Já no dia seguinte, notícias (é esse mesmo o nome?) faziam de Marcela Temer, esposa do atual vice presidente do Brasil, Michel Temer, a “Carla Bruni” brasileira. Ao que tudo indica, mulher jovem formosa, mesmo que figurante, ainda é mais relevante que mulher nem tão jovem, nem tão formosa, sendo nomeada presidente de um país. Ao menos aos consumidores de Playboy que apenas veem as fotos, e não leem as inteligentes reportagens que ali são impressas.

Para refrescar qualquer memória ou desconhecimento, Carla Bruni é a atual primeira dama francesa, mulher de Nicolas Sarkozy. Foi também, bem antes de ser primeira dama, top model, e agora segue como cantora e compositora. A artista (de sucesso, reconhecida pela alta crítica do ramo) enfrentou e ainda deve enfrentar olhares curiosos que só conseguem enxergar por baixo da sua simetria facial e corpo delineado, um interesse escuso de quem parece preferir o envolvimento com homens “poderosos”. Como se eles fossem a fonte de todo o prazer do universo… Meus caros, vale um lembrete: vocês são parte do nosso prazer, e não o nosso todo – sejam poderosos, milionários, pobres ou simplesmente gostosos! É sempre bom grifar isso, né rapaziada cheia de egocentrismo?

[Ressalvo aqui minha admiração pelos gente fina, bacanas e inteligentes, que obviamente são muito mais prazerosos que os outros].

Mas, de volta… O machismo disfarçadinho, que veio figurar paralelamente ao feminismo reluzente e exagerado do mais importante evento político do nosso país, talvez não seja uma coincidência. Antes que me taquem as pedras, saibam que não partilho dessa onda das mulheres que se sentiram vitoriosas porque seu presidente agora é presidenta. Não. Enxerguei, inclusive, desde o princípio o pingão de exploração do tema para conquistar votos. Votei, aliás, no homem desta eleição. E também conheço a mulherada boa de cara e boa de bunda que se apropria destes dotes para interesses nem tão valorosos. Mas enxerguei nesses últimos dias, no nosso evento político, um outro lado desse fuzuê. Talvez, veja bem, talvez, nem todos os meninos brasileiros que apreenderam com o papai que lugar de mulher é no tanque, estejam preparados para serem geridos por uma moça – e aproveitaram o efeito mulher bonita ali, pra tirar o foco. Arrisco dizer, ainda, que muita mulher fez o mesmo. Se meu palpite estiver certo, que pena. Ambos usaram da sua mais pobre sabedoria para labutar.   

Pra fechar, recorro à figura do feirante. Sim, o vendedor de bananas, pepinos e abobrinhas (frutas e legumes escolhidos não aleatoriamente). Da sua santa sabedoria popular, desde as décadas passadas, esses profissionais, prioritariamente homens, entenderam que o humor poderia ser a alma do seu negócio. E entre uma ou outra chamadinha, lançaram o tal “Mulher bonita não paga, mas também não leva!”, para suas potenciais clientes, prioritariamente mulheres. Provavelmente os que assim gritavam (ou gritam), venderam (ou vendem) mais do que os que preferiram se calar… O inverso do que eu espero que aconteça com os jornalistas e afins que preferiram salivar sobre a ex miss, advogada e mãe > do filho > do nosso atual vice presidente – como ele muito perspicazmente colocou, ao ser indagado sobre a comparação de sua digníssima companheira com a primeira dama francesa.

Porque mulher bonita ainda paga por ser bonita. E ainda leva comentários levemente debochados de quem não sabe se diferenciar do mercado, ao lançar novas interpretações, mesmo que acerca da presença de um colírio aos olhos no cenário político, que geralmente é tão feio. Temos, aliás, mais coisas a dizer (e a exigir) do que este alvoroço de testosterona que invadiu as agências de notícias desde do primeiro dia do ano.

Repeteco de “notícias” vazias, sem a pegada sábia. Cansei.

Cresci ouvindo nego dizer “O Brasil é ótimo… Aqui não tem terremoto, furacão ou guerra”. Também ouvi bastante, em um ritmo mais encantador, que tudo o que eu quiser o cara lá de cima vai me dar. Mas, como só depois fui entender que era a Xuxa quem me dava essa dica (a segunda), passei a desconfiar de todas as outras teorias (inclusive da primeira).

Tal pé atrás – atrelado a um quê de frustração – me fez mais curiosa, ao ponto de querer entender o que determinava um país sofrer tremor de terra, tufo de vento do cão e, claro, sofrer da guerra. Placas tectônicas, ondas sísmicas, escalas Richter, tempestades e ciclones depois… continuo ignorante com relação à guerra. Achava que era ganância oropéia, síndrome de Bush ou coisa de terrorista barbudo. Não é.

Terra brasílis é muito grande. Muito desigual também. Exige que nordestino abandone a rede de descanso no sertão ou o lindo barquinho de pescador pra vir morar perto de uma praia chic, com internet wi fi na orla da cidade (?). Ele chega confuso, sem ter onde dormir, o que colher ou como pescar. Aflito, descobre que até dá pra construir um barracozinho num lugar alto com vista panorâmica (!). Mas ao mesmo tempo em que arruma um bico 100% urbano, descobre que muita gente usa um negócio chamado “entorpecente”. O filho do patrão fuma maconha, a moça da TV cheira cocaína e quem vende tudo isso pra eles é o seu vizinho.

Desde semana passada vejo tanques de guerra entrando lá perto desse pessoal minoria, que veio tentar a vida na cidade grande que era pra ser maravilhosa. Agora eles devem estar pedindo pro cara lá de cima dar, de volta, a sua terra natal, a sua casa de barro e os seus vizinhos drogados de tanta cachaça de alambique e cigarro de palha… Querem ouvir forró e não mais ‘tá dominado, tá tudo dominado’ da boca de homens fardados.

Talvez eles, assim como eu quando pequena, pensavam que “ocupação de território”, “domínio” e “poder” eram palavras pra estrangeiro ou professor de história usar. E que guerra era algum tipo de questão múltipla escolha em que a gente é quem decide se marca com um x a opção ter ou a opção não ter. Por mais que eu ainda idealize que sim, é opcional (pena que quem preenche por aqui não sabe como fazê-lo), concluo que o mais chocante é saber que estamos em guerra contra nós mesmos e, dizem, a favor de nós mesmos. Os principais inimigos não estão em outro país, nem falam outra língua. São, no máximo, de facções, milícias ou partidos diferentes.

Você pensou que, algum dia, Hitler e Morro do Alemão teriam coincidências além do nome? Nem eu.  Muito menos os pacíficos retirantes…

toda trabalhada na linguagem corporal

Estamos a poucos dias de definir os próximos quatro anos do Brasil e, por mais clichê que soe essa frase, ela é verdadeira. Tendo em vista o tempo apertado, serei objetiva. Começo no “eu confesso” e, se você se identificar, vêm comigo. Eu confesso que não estudei a fundo as propostas pra saber quais são as perfeitamente coerentes com nossas carências, até porque entendo que as deficiências brasileiras são tantas, e com tantos obstáculos escusos, que é quase impossível haver um equilíbrio pleno e saudável. Vejo aqui da superfície geral, ambos os candidatos apresentando idéias bacanas, que vão de encontro com as expectativas mais urgentes da sociedade. Mas o tira teima que, num mundo ideal, focaria a comparação crítica de propostas, fica a cargo da brincadeira da eliminação – no Brasil, leia-se: m&#$@ no ventilador. É que quando a elegância vai embora, parceiro, fica a taxa do eu sei (salve, em tempo, Nascimento!).

Friso: a caça às bruxas não nasceu no eleitorado barraqueiro, nasceu na falta de ética, comprometimento e hombridade do cenário político, que hoje nos obriga, ao invés de fazer votação, eliminar a pior opção. Esse mete-dedo-no-escândalo-do-outro incontrolável virou pauta obrigatória do segundo turno para os comentaristas políticos. A mesmisse do lado de cá reflete o mais do mesmo do lado de lá, nada mais natural. Portanto, vim falar de coisas que vão além do debate e dos apelos sensacionalistas.

Antes, esclareço pontos relevantes. Caros candidatos: suas campanhas com multidões gesticulando o número 13 ou 45, você sorrindo e chamando a pátria no microfone, aplaudido por seus coleguinhas interesseiros no palco, não me tocam. Prometer educação de qualidade, transporte público decente, dizer se a Petrobrás é minha ou da gringolândia, e se você conhecia Preto ou era cúmplice da Erenice, se tornaram argumentos tão repetitivos e, para os quais, suas retóricas já estão tão ensaiadas, que eu fico zonza tentando te sacar. (Se era esse seu objetivo, caro homem de comunicação por trás deles, parabéns!). Também já manjo suas cores de blazer, suas poses estratégicas e seu olhar emocionado. Dou, ainda, risada da mudança repentina de trilha sonora nas suas propagandas: uma orquestra quando o locutor fala da sua origem humilde e íntegra (com fotinhos fofas de tão constrangedoras que são), e outra, digna de filme de terror, quando você cita a oposição, acompanhado por um jogo de luz depressivo sob manchetes nos jornais. Juro que, mesmo assim, tento quase todos os dias decifrar mais um pouquinho dos estímulos a que sou exposta… E antes que você venha me falar de histórico, de importantes referências curriculares do passado, saiba que não acho isso suficiente. Por quê? Porque as pessoas mudam e a roda gira. Especialmente em Brasília, né candidato? Como gira!  

Exausta, cheguei, então, numa decisão ultra pessoal, sem nenhum suporte científico: vou partir pra critérios subjetivos. Às favas quem me critica! Dou mais valor aos meus sextos, sétimos e vigésimos sentidos do que aos e-mails “confabulosos” que chegam diariamente na minha caixa de entrada. Os youtubes e wwws da vida não me acrescentam mais coisas novas, desenvolvi receio das mensagens dos líderes do jornalismo, e nem meus ídolos se portam mais como confiáveis… Tô assim, feito bichinho acuado e resolvi me defender com as armas mais pré-históricas.   

O negócio é o seguinte: ninguém ali é anjo, eu sei. Mas tem gente com cara de demo. Dilmoca tentou consertar a aparência fechada e pesada consultando os melhores profissionais de moda e beleza do Brasil, digníssimos Alexandre Herchcovitch e Celso Kamura. O último, cabeludo, não só reformulou as madeixas dela, mas aprimorou o que mais me assustava naquele personagem áspero: suas sobrancelhas. E mesmo arredondando as famosas molduras do rosto desta mulher, pra que vibrassem menos arrogantes, elas continuam fantasmagóricas – ao menos pra mim. Pobre Kamura, seu trabalho foi perfeito! Mas existe uma coisa chamada linguagem corporal, que é quase que uma verdade absoluta, um DNA imutável que nem o botox supera. E as feições de Dilma são extremamente agressivas… Não um agressivo “bom”, de quem tem vontade, sangue nos olhos pra botar a mão na massa. Não. É um agressivo do mal, como se impaciente pelo domínio. Uma das provas está no esforço inegável que esse rosto faz para soltar um sorriso e, mesmo depois de conseguir sorrir, as expressões não acompanharem a energia do ato… O olho nu percebe: ela fica desconfortável. Mas as tais sobrancelhas são as partes com mais vida própria nesse conjunto. Se exaltam e perdem as estribeiras antes da preparação marketeira dela conter seus impulsos. E roubam a minha atenção. A candidata pode estar contando carneirinhos ali, ao vivo. Eu vou estar sempre focada na desenvoltura daquela dupla prepotente, que vira e mexe desmente sua mamãe.

Então é isso. Expliquei. O voto é secreto só se eu quiser fazer dele um segredo. E não tenho porque fazer, afinal meu rabo de bichinho acuado é solto. (Viva! Ao menos o meu rabo se salvou!). Ele é tão livre e abaixo do muro – diferente de vocês, senhores adversários – que me deixa dividir com os amigos que eu não quero dar poder pra quem me sugere medo, até porque já existem vários representantes desse tipo distribuídos no sistema. Então, chega. No que tange a minha escolha no próximo domingo, pro mais alto cargo do meu amado Brasil, vou de vampiro, vou de Sr. Burns do Simpsons… Mas eu confesso que não vou, de maneira alguma, na alma que esconde outras coisas, bem além da ganância. Não é uma questão de carisma, nem de saber mentir. O buraco é mais embaixo. Filosofia barata? Os malucos beleza hão de me entender.  

caricatura (incrível) de Lucas Alvarenga