Tá bombando por aí, feito noite de fogos, a perseguição por Julian Assange, o cara que varreu a poeira de gente grande pra cima do tapete com o Wikileaks. Para quem não sabe o site não lucrativo (vive de doações), é um delator com tecnologia ‘mudérna’, fontes fortes e futricas capazes de sacudir economias e relações internacionais do mundo, com o mundo. Seus assíduos internautas são os mais relevantes jornais do planeta, secos por apertar os colarinhos das diplomacias engravatadas. Os mesmos, aliás, que noticiam o passo a passo do que já é considerada a nova guerra da informação. O fundador do tal site é o moço australiano que agora estampa as capas e manchetes, com cabelo grisalho, cara de nerds e um quê de jornalista doido. Sim, doido. Euzinha não teria peito pra fazer o que ele fez: delatar comentários esdrúxulos e documentos sanguinários dos tais reis e rainhas que nos “súditam” sem sequer percebermos (ou fingimos não perceber)?  

Óóó: os Chineses colocaram hackers do mal nas tramas do governo para controlar um pouco mais aqueles olhinhos apertados. Óóó: os americanos se basearam em notícias superficiais e disseram que Dilmoca, a nova presidenta da terra de macacos que começa a dar passos significantes, era uma ladra, quiçá terrorista de outrora. ÓÓÓ: BUSH MATOU INOCENTES NA GUERRA DO IRAQUE!

Bem, cinismo e ignorância a parte, não desmereço a importância dessas informações, muito menos do feito do cara que agora se consagra como ativista dos tempos modernos. Questiono-me, sim, sobre a síndrome de poder. Explico: megalomaníacos sempre estiveram dispostos a matar, torturar, denegrir e mais outra sequência de maldades, há tempos, com o mesmo objetivo de Pink e Cérebro (os ratinhos que queriam dominar o mundo). E sabemos que quem sempre paga o pato somos ‘nozes’. Mas onde é mesmo que eles querem chegar? Ricos já são, mulheres já têm e velhos estão se tornando.

Senhores presidentes, onde é que vocês querem chegar? Em breve irão morrer, meus caros. De que adianta passar a vida atrás dos territórios petrolíferos, acenando para as câmeras com um sorrisinho hipócrita, enquanto exterminam pessoas inocentes, famintas e doentes – ao mesmo tempo em que tentam esconder isso de todo mundo? “Poxa, pelo menos, eles morreram antes. E fui eu que matei!”. Será que é isso que passa por vossas cabeças? Que senso de adrenalina curioso o desses caras, né?

De qualquer forma, meus parabéns. Se seus tataranetos não morrerem sufocados pela poluição das caixinhas de nuggets superfaturadas que vocês devoram na madrugada, irão continuar a sua guerra e serão tão ou mais letais que vocês com suas armas touchscreen. Sim, eles encabeçarão os rankings de homens mais poderosos do mundo! Viverão, também, tão infelizes quanto imagino que são os senhores. Porque a infelicidade é o único motivo pra tantos gatilhos apertados à distância, via telegramas que agora ganham notoriedade no Wikileaks.  

O nome do site que causou furor deriva da soma de “wiki”, termo havaiano que significa ‘rápido’, e “leaks”, que se assemelha com ‘contar anonimamente’. O slogan da iniciativa é “We open governments”. Pobre Julian Assange, ele é tão vítima quanto esses homens poderosos… Passou a maior parte da vida caçando as últimas notícias ruins, sigilos aterrorizantes e descascando governos podres. E agora é um mártir, viva! Mas está atrás das grades e, ao que tudo indica, nunca mais vai sair de lá. Mesmo escapando da prisão, dá pra imaginar que a vida daqui pra frente, mais perseguido do que nunca por nossa realeza, não terá preço. E, pior! Para todas as outras coisas não existirá mais nem Mastercard.

Vim aqui dar o meu alerta aos que se iludiram: infelizmente, um só X9 não muda o mundo. A transparência não é a luz no fim do túnel, sinto assumir. Trogloditas com sede de poder continuarão vindo, e a não ser que o tal Messias decida revolucionar essa bagaça, descendo de novo e oferecendo vinho mágico para os Judas que aqui se espalharam, seguiremos lutando aliados ao quarto poder, na humilde tentativa de resgatar uns ou outros.