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a vice primeira (gatinha) dama e seu respectivo vice (véinho) presidente

 

Dilmoca pronunciou doze vezes a palavra “mulher” entre os seus dois discursos de posse, um no Congresso e outro no Planalto. Fui bitolada ao ponto de contar. Pra reforçar, na mesma ocasião Sarney discursou frases feministas memoráveis, do tipo “A posse de Dilma é a ascensão da luta da mulher!”. Mas a sensação de comoção nacional em torno da conquista para com o que, no caso, é o meu sexo, foi passageira. Ali, bem pertinho de todo este falatório, uma moça bonita roubava flashes. Já no dia seguinte, notícias (é esse mesmo o nome?) faziam de Marcela Temer, esposa do atual vice presidente do Brasil, Michel Temer, a “Carla Bruni” brasileira. Ao que tudo indica, mulher jovem formosa, mesmo que figurante, ainda é mais relevante que mulher nem tão jovem, nem tão formosa, sendo nomeada presidente de um país. Ao menos aos consumidores de Playboy que apenas veem as fotos, e não leem as inteligentes reportagens que ali são impressas.

Para refrescar qualquer memória ou desconhecimento, Carla Bruni é a atual primeira dama francesa, mulher de Nicolas Sarkozy. Foi também, bem antes de ser primeira dama, top model, e agora segue como cantora e compositora. A artista (de sucesso, reconhecida pela alta crítica do ramo) enfrentou e ainda deve enfrentar olhares curiosos que só conseguem enxergar por baixo da sua simetria facial e corpo delineado, um interesse escuso de quem parece preferir o envolvimento com homens “poderosos”. Como se eles fossem a fonte de todo o prazer do universo… Meus caros, vale um lembrete: vocês são parte do nosso prazer, e não o nosso todo – sejam poderosos, milionários, pobres ou simplesmente gostosos! É sempre bom grifar isso, né rapaziada cheia de egocentrismo?

[Ressalvo aqui minha admiração pelos gente fina, bacanas e inteligentes, que obviamente são muito mais prazerosos que os outros].

Mas, de volta… O machismo disfarçadinho, que veio figurar paralelamente ao feminismo reluzente e exagerado do mais importante evento político do nosso país, talvez não seja uma coincidência. Antes que me taquem as pedras, saibam que não partilho dessa onda das mulheres que se sentiram vitoriosas porque seu presidente agora é presidenta. Não. Enxerguei, inclusive, desde o princípio o pingão de exploração do tema para conquistar votos. Votei, aliás, no homem desta eleição. E também conheço a mulherada boa de cara e boa de bunda que se apropria destes dotes para interesses nem tão valorosos. Mas enxerguei nesses últimos dias, no nosso evento político, um outro lado desse fuzuê. Talvez, veja bem, talvez, nem todos os meninos brasileiros que apreenderam com o papai que lugar de mulher é no tanque, estejam preparados para serem geridos por uma moça – e aproveitaram o efeito mulher bonita ali, pra tirar o foco. Arrisco dizer, ainda, que muita mulher fez o mesmo. Se meu palpite estiver certo, que pena. Ambos usaram da sua mais pobre sabedoria para labutar.   

Pra fechar, recorro à figura do feirante. Sim, o vendedor de bananas, pepinos e abobrinhas (frutas e legumes escolhidos não aleatoriamente). Da sua santa sabedoria popular, desde as décadas passadas, esses profissionais, prioritariamente homens, entenderam que o humor poderia ser a alma do seu negócio. E entre uma ou outra chamadinha, lançaram o tal “Mulher bonita não paga, mas também não leva!”, para suas potenciais clientes, prioritariamente mulheres. Provavelmente os que assim gritavam (ou gritam), venderam (ou vendem) mais do que os que preferiram se calar… O inverso do que eu espero que aconteça com os jornalistas e afins que preferiram salivar sobre a ex miss, advogada e mãe > do filho > do nosso atual vice presidente – como ele muito perspicazmente colocou, ao ser indagado sobre a comparação de sua digníssima companheira com a primeira dama francesa.

Porque mulher bonita ainda paga por ser bonita. E ainda leva comentários levemente debochados de quem não sabe se diferenciar do mercado, ao lançar novas interpretações, mesmo que acerca da presença de um colírio aos olhos no cenário político, que geralmente é tão feio. Temos, aliás, mais coisas a dizer (e a exigir) do que este alvoroço de testosterona que invadiu as agências de notícias desde do primeiro dia do ano.

Repeteco de “notícias” vazias, sem a pegada sábia. Cansei.

Então tá, nosso presidente agora vai ser presidenta. Palmas para a conquista feminina! Mas que essa onda da superação do machismo dê espaço para as reais habilidades de Dilmoca no cargo. E que a onda do PT com síndrome de Peter Pan também passe, ao lado da onda das vozes preconceituosas que reduziram os nordestinos, em sua totalidade, a uma massa ignorante e incapaz de escolher seus regentes. Desejo ainda que as marcas de derrota que abatiam José Serra enquanto proclamava seu discurso de “Até logo” (adorável, por sinal), nos lembrem que na vida há perdas e ganhos e o grande barato é saber lidar com as primeiras. E que a postura daqueles que não chegaram até a reta final nos façam refletir de que muitas vezes ficar calado é necessário, sábio e estratégico; e que outras vezes se posicionar com uma transparência exacerbada pode ser cativante! Parabéns Dilma, Serra, Marina e Plínio, respectivamente.  

Marcado pela polêmica, o resultado do nosso segundo turno sacudiu. Sacudiu opiniões fervorosas, exageradamente humanas, sinceras e jovens! Na era do twitter, entendo que uma das características mais importantes desse evento democrático não foi só a eleição presidencial de uma mulher – e sim a disputa de votos dos jovens-banda-larga que soam participativos. Eles (os candidatos) foram chegando e a troca foi recíproca. Falo por mim: me senti com poder, fui levada em consideração, me reconheceram como futuro – e não só no discurso, amém. Ainda assim, lamento pelos vários colegas que foram badalar distantes de seus colégios eleitorais, em ocasião do feriado. E, em tempo, sugiro aqui uma pesquisa ao Ibope: da abstenção recorde que se apresentou, qual porcentagem de jovens twitteiros preferiu pisar em areias diferentes? É bom saber até onde vai o comprometimento dos nossos 140 caracteres…

Mas de volta à grande personalidade que vamos formar, decidi me retratar. Em memória ao meu último post, eu confesso que vi uma pessoa eleita bem diferente do que quando candidata: ela baixou a guarda, sorriu por completo e deixou isso transparecer nas suas expressões. Arrisco dizer que enxerguei paz nos seus olhos e muito, mas muito mais sabedoria. Por isso, te ofereço minhas sinceras desculpas se estava errada sobre suas intenções, vossa excelência. E lhe suplico pra que não me faca me arrepender de lhe falar isso… Ah! Torço pra que continue me surpreendendo. Mas sem fantasma, tá? Mostra pra gente o seu peito próprio (porque mulher não tem culhão, dãr). 

Estamos juntos nessa, Brasil. Nada mais incoerente que continuar na ignorante oposição – veja, ignorante, e não crítica! -, respondendo à altura da antiga agressividade que marcava as sobrancelhas da presidenta antes da vitória. Sejamos construtivos e não mandemos mais nosso país para nenhum outro lugar, que não o melhor. Somos um Brasil imenso, diverso e rico. Rico de sabedoria, mesmo que popular. E quanto à hipótese remota de nos separarmos em dois, pare de ser careta! Só somos bacanudos por sermos assim… Aceitemos nossa realidade, aprendamos com ela para, então, melhorá-la. Daqui pra frentex, digestão, Brasil. Não é mais tempo de ser Dilma ou Serra. É tempo de ser imparcialmente bra-si-lei-ro.

ps. Perceberam que ela estava de azul na entrevista do JN? Hum…  (#naoresisti)

toda trabalhada na linguagem corporal

Estamos a poucos dias de definir os próximos quatro anos do Brasil e, por mais clichê que soe essa frase, ela é verdadeira. Tendo em vista o tempo apertado, serei objetiva. Começo no “eu confesso” e, se você se identificar, vêm comigo. Eu confesso que não estudei a fundo as propostas pra saber quais são as perfeitamente coerentes com nossas carências, até porque entendo que as deficiências brasileiras são tantas, e com tantos obstáculos escusos, que é quase impossível haver um equilíbrio pleno e saudável. Vejo aqui da superfície geral, ambos os candidatos apresentando idéias bacanas, que vão de encontro com as expectativas mais urgentes da sociedade. Mas o tira teima que, num mundo ideal, focaria a comparação crítica de propostas, fica a cargo da brincadeira da eliminação – no Brasil, leia-se: m&#$@ no ventilador. É que quando a elegância vai embora, parceiro, fica a taxa do eu sei (salve, em tempo, Nascimento!).

Friso: a caça às bruxas não nasceu no eleitorado barraqueiro, nasceu na falta de ética, comprometimento e hombridade do cenário político, que hoje nos obriga, ao invés de fazer votação, eliminar a pior opção. Esse mete-dedo-no-escândalo-do-outro incontrolável virou pauta obrigatória do segundo turno para os comentaristas políticos. A mesmisse do lado de cá reflete o mais do mesmo do lado de lá, nada mais natural. Portanto, vim falar de coisas que vão além do debate e dos apelos sensacionalistas.

Antes, esclareço pontos relevantes. Caros candidatos: suas campanhas com multidões gesticulando o número 13 ou 45, você sorrindo e chamando a pátria no microfone, aplaudido por seus coleguinhas interesseiros no palco, não me tocam. Prometer educação de qualidade, transporte público decente, dizer se a Petrobrás é minha ou da gringolândia, e se você conhecia Preto ou era cúmplice da Erenice, se tornaram argumentos tão repetitivos e, para os quais, suas retóricas já estão tão ensaiadas, que eu fico zonza tentando te sacar. (Se era esse seu objetivo, caro homem de comunicação por trás deles, parabéns!). Também já manjo suas cores de blazer, suas poses estratégicas e seu olhar emocionado. Dou, ainda, risada da mudança repentina de trilha sonora nas suas propagandas: uma orquestra quando o locutor fala da sua origem humilde e íntegra (com fotinhos fofas de tão constrangedoras que são), e outra, digna de filme de terror, quando você cita a oposição, acompanhado por um jogo de luz depressivo sob manchetes nos jornais. Juro que, mesmo assim, tento quase todos os dias decifrar mais um pouquinho dos estímulos a que sou exposta… E antes que você venha me falar de histórico, de importantes referências curriculares do passado, saiba que não acho isso suficiente. Por quê? Porque as pessoas mudam e a roda gira. Especialmente em Brasília, né candidato? Como gira!  

Exausta, cheguei, então, numa decisão ultra pessoal, sem nenhum suporte científico: vou partir pra critérios subjetivos. Às favas quem me critica! Dou mais valor aos meus sextos, sétimos e vigésimos sentidos do que aos e-mails “confabulosos” que chegam diariamente na minha caixa de entrada. Os youtubes e wwws da vida não me acrescentam mais coisas novas, desenvolvi receio das mensagens dos líderes do jornalismo, e nem meus ídolos se portam mais como confiáveis… Tô assim, feito bichinho acuado e resolvi me defender com as armas mais pré-históricas.   

O negócio é o seguinte: ninguém ali é anjo, eu sei. Mas tem gente com cara de demo. Dilmoca tentou consertar a aparência fechada e pesada consultando os melhores profissionais de moda e beleza do Brasil, digníssimos Alexandre Herchcovitch e Celso Kamura. O último, cabeludo, não só reformulou as madeixas dela, mas aprimorou o que mais me assustava naquele personagem áspero: suas sobrancelhas. E mesmo arredondando as famosas molduras do rosto desta mulher, pra que vibrassem menos arrogantes, elas continuam fantasmagóricas – ao menos pra mim. Pobre Kamura, seu trabalho foi perfeito! Mas existe uma coisa chamada linguagem corporal, que é quase que uma verdade absoluta, um DNA imutável que nem o botox supera. E as feições de Dilma são extremamente agressivas… Não um agressivo “bom”, de quem tem vontade, sangue nos olhos pra botar a mão na massa. Não. É um agressivo do mal, como se impaciente pelo domínio. Uma das provas está no esforço inegável que esse rosto faz para soltar um sorriso e, mesmo depois de conseguir sorrir, as expressões não acompanharem a energia do ato… O olho nu percebe: ela fica desconfortável. Mas as tais sobrancelhas são as partes com mais vida própria nesse conjunto. Se exaltam e perdem as estribeiras antes da preparação marketeira dela conter seus impulsos. E roubam a minha atenção. A candidata pode estar contando carneirinhos ali, ao vivo. Eu vou estar sempre focada na desenvoltura daquela dupla prepotente, que vira e mexe desmente sua mamãe.

Então é isso. Expliquei. O voto é secreto só se eu quiser fazer dele um segredo. E não tenho porque fazer, afinal meu rabo de bichinho acuado é solto. (Viva! Ao menos o meu rabo se salvou!). Ele é tão livre e abaixo do muro – diferente de vocês, senhores adversários – que me deixa dividir com os amigos que eu não quero dar poder pra quem me sugere medo, até porque já existem vários representantes desse tipo distribuídos no sistema. Então, chega. No que tange a minha escolha no próximo domingo, pro mais alto cargo do meu amado Brasil, vou de vampiro, vou de Sr. Burns do Simpsons… Mas eu confesso que não vou, de maneira alguma, na alma que esconde outras coisas, bem além da ganância. Não é uma questão de carisma, nem de saber mentir. O buraco é mais embaixo. Filosofia barata? Os malucos beleza hão de me entender.  

caricatura (incrível) de Lucas Alvarenga