toda trabalhada na linguagem corporal

Estamos a poucos dias de definir os próximos quatro anos do Brasil e, por mais clichê que soe essa frase, ela é verdadeira. Tendo em vista o tempo apertado, serei objetiva. Começo no “eu confesso” e, se você se identificar, vêm comigo. Eu confesso que não estudei a fundo as propostas pra saber quais são as perfeitamente coerentes com nossas carências, até porque entendo que as deficiências brasileiras são tantas, e com tantos obstáculos escusos, que é quase impossível haver um equilíbrio pleno e saudável. Vejo aqui da superfície geral, ambos os candidatos apresentando idéias bacanas, que vão de encontro com as expectativas mais urgentes da sociedade. Mas o tira teima que, num mundo ideal, focaria a comparação crítica de propostas, fica a cargo da brincadeira da eliminação – no Brasil, leia-se: m&#$@ no ventilador. É que quando a elegância vai embora, parceiro, fica a taxa do eu sei (salve, em tempo, Nascimento!).

Friso: a caça às bruxas não nasceu no eleitorado barraqueiro, nasceu na falta de ética, comprometimento e hombridade do cenário político, que hoje nos obriga, ao invés de fazer votação, eliminar a pior opção. Esse mete-dedo-no-escândalo-do-outro incontrolável virou pauta obrigatória do segundo turno para os comentaristas políticos. A mesmisse do lado de cá reflete o mais do mesmo do lado de lá, nada mais natural. Portanto, vim falar de coisas que vão além do debate e dos apelos sensacionalistas.

Antes, esclareço pontos relevantes. Caros candidatos: suas campanhas com multidões gesticulando o número 13 ou 45, você sorrindo e chamando a pátria no microfone, aplaudido por seus coleguinhas interesseiros no palco, não me tocam. Prometer educação de qualidade, transporte público decente, dizer se a Petrobrás é minha ou da gringolândia, e se você conhecia Preto ou era cúmplice da Erenice, se tornaram argumentos tão repetitivos e, para os quais, suas retóricas já estão tão ensaiadas, que eu fico zonza tentando te sacar. (Se era esse seu objetivo, caro homem de comunicação por trás deles, parabéns!). Também já manjo suas cores de blazer, suas poses estratégicas e seu olhar emocionado. Dou, ainda, risada da mudança repentina de trilha sonora nas suas propagandas: uma orquestra quando o locutor fala da sua origem humilde e íntegra (com fotinhos fofas de tão constrangedoras que são), e outra, digna de filme de terror, quando você cita a oposição, acompanhado por um jogo de luz depressivo sob manchetes nos jornais. Juro que, mesmo assim, tento quase todos os dias decifrar mais um pouquinho dos estímulos a que sou exposta… E antes que você venha me falar de histórico, de importantes referências curriculares do passado, saiba que não acho isso suficiente. Por quê? Porque as pessoas mudam e a roda gira. Especialmente em Brasília, né candidato? Como gira!  

Exausta, cheguei, então, numa decisão ultra pessoal, sem nenhum suporte científico: vou partir pra critérios subjetivos. Às favas quem me critica! Dou mais valor aos meus sextos, sétimos e vigésimos sentidos do que aos e-mails “confabulosos” que chegam diariamente na minha caixa de entrada. Os youtubes e wwws da vida não me acrescentam mais coisas novas, desenvolvi receio das mensagens dos líderes do jornalismo, e nem meus ídolos se portam mais como confiáveis… Tô assim, feito bichinho acuado e resolvi me defender com as armas mais pré-históricas.   

O negócio é o seguinte: ninguém ali é anjo, eu sei. Mas tem gente com cara de demo. Dilmoca tentou consertar a aparência fechada e pesada consultando os melhores profissionais de moda e beleza do Brasil, digníssimos Alexandre Herchcovitch e Celso Kamura. O último, cabeludo, não só reformulou as madeixas dela, mas aprimorou o que mais me assustava naquele personagem áspero: suas sobrancelhas. E mesmo arredondando as famosas molduras do rosto desta mulher, pra que vibrassem menos arrogantes, elas continuam fantasmagóricas – ao menos pra mim. Pobre Kamura, seu trabalho foi perfeito! Mas existe uma coisa chamada linguagem corporal, que é quase que uma verdade absoluta, um DNA imutável que nem o botox supera. E as feições de Dilma são extremamente agressivas… Não um agressivo “bom”, de quem tem vontade, sangue nos olhos pra botar a mão na massa. Não. É um agressivo do mal, como se impaciente pelo domínio. Uma das provas está no esforço inegável que esse rosto faz para soltar um sorriso e, mesmo depois de conseguir sorrir, as expressões não acompanharem a energia do ato… O olho nu percebe: ela fica desconfortável. Mas as tais sobrancelhas são as partes com mais vida própria nesse conjunto. Se exaltam e perdem as estribeiras antes da preparação marketeira dela conter seus impulsos. E roubam a minha atenção. A candidata pode estar contando carneirinhos ali, ao vivo. Eu vou estar sempre focada na desenvoltura daquela dupla prepotente, que vira e mexe desmente sua mamãe.

Então é isso. Expliquei. O voto é secreto só se eu quiser fazer dele um segredo. E não tenho porque fazer, afinal meu rabo de bichinho acuado é solto. (Viva! Ao menos o meu rabo se salvou!). Ele é tão livre e abaixo do muro – diferente de vocês, senhores adversários – que me deixa dividir com os amigos que eu não quero dar poder pra quem me sugere medo, até porque já existem vários representantes desse tipo distribuídos no sistema. Então, chega. No que tange a minha escolha no próximo domingo, pro mais alto cargo do meu amado Brasil, vou de vampiro, vou de Sr. Burns do Simpsons… Mas eu confesso que não vou, de maneira alguma, na alma que esconde outras coisas, bem além da ganância. Não é uma questão de carisma, nem de saber mentir. O buraco é mais embaixo. Filosofia barata? Os malucos beleza hão de me entender.  

caricatura (incrível) de Lucas Alvarenga