Tive um sonho esquisito ontem… Assistia ao VMB (aquele prêmio anual da MTV, sabe?) e os VJs da casa não eram os astros principais… Sabrina Sato, Charles Henriquepédia, Ratinho, Rodrigo Faro, Nelson Rubens, Danilo Gentili, Vovó Palmirinha e tantos outros, de outras emissoras, é que vinham anunciar os candidatos. E isso foi o máximo! Pensei que só mesmo a MTV pra bolar um conceito tão mudérno.

Mas daí o sonho continuou… E umas bandas com uns menininhos mirradinhos, de nomes estranhos e roupas flúor, é que ganhavam os prêmios: uns tais de “Cine”, “Strike” e “Restart” (o grande vencedor da noite) eram esses esquisitos. Mas era com eles que a molecadinha pirava! Otto, Pitty e Capital Inicial eram os artistas que eu sentia vergonha alheia, sabe? Quando ninguém vibra com os caras? Como se eles fosse velhos, ultrapassados, sei lá…

Pff. Só eu mesmo pra sonhar com um negócio desses: com 22 anos e me sentindo meio out da cena musical que ali vencia nas categorias… Pff! A gente sonha com cada coisa, né? Jééésus.  

Escrevi isso no dia 17 de setembro de 2010.

 

Eu dormi de novo, acordei de novo e percebi que meu sonho esquisito não tinha nada de alucinógeno, era realidade. Fui dividir com outros amigos e eles estavam com a mesma cara amassada de quem dorme profundo e acorda assustado. De quem dorme alguns anos, na verdade. “Não entendi nada. Tô ficando velho…”.

Aproprio-me das gírias idosas (seguindo o clima) para explicar o porque de não termos decifrado ainda esse furacão happy-rock-teen-pop. A “moçadinha” que elegeu essa galera como sensação não fomos nós, Geração dial up. Muito menos vocês, apreciadores de longa data das músicas cheias de atitude revolucionária e paixões proibidas. Foram meninas adolescentes twitteiras, “patota” carente de Elvis, Beatles, Roberto, Erasmo, Bob Marley, Pink Floyd, Michael Jackson, Raul Seixas, U2, The Clash, Titãs, Pearl Jam, Oasis e Charlie Brown Jr.

Criticamos o que soa antiquado aos nossos ouvidos. Aquelas vozes na puberdade… Que falam só sobre amor, estratégia tão básica, tão sertaneja… Mas falam com franjas na cara, calças verdes e apertadas. A força do preto perdendo pra alegria superficial do colorido… Aí criticamos também o que soa antiquado aos nossos olhos. Justin Bieber liquidando bilheterias? Criticamos o que soa um abuso aos nossos anos de pés calejados!

Criticamos porque não tem botox que estique essas rugas. E não estranhe se elas já apareceram na era dos seus 20 e poucos anos… O turbilhão de informações, bugigangas tecnológicas e ausência de horas livres nos taxam de ultrapassados antes de fazermos aniversário. Antes mesmo de podermos reagir, clicar pra votar e exibir nossa síndrome de maturidade musical.

Por mais que você tente se encaixar, a verdade é que foi o tempo, meu caro. Quem apertou o re-start foi o tempo. Ele passou, ele faltou.